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Starbucks é alvo de operação policial na Coreia do Sul após campanha polêmica; entenda


Loja da Starbucks na Coreia do Sul. A rede virou alvo de investigação após uma campanha publicitária que gerou críticas por fazer referência ao uso de tanques durante a repressão aos protestos pró-democracia de Gwangju, em 1980
Reuters
A polícia sul-coreana realizou buscas nesta quarta-feira (5) nos escritórios da Starbucks, informou à AFP a operadora local da rede de cafeterias.
A operação faz parte da investigação aberta após uma campanha publicitária ser acusada de difamar ativistas mortos nos protestos pró-democracia de 1980, um dos episódios mais marcantes da história recente do país.
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Um grupo da sociedade civil e familiares das vítimas apresentaram uma queixa contra integrantes do Grupo Shinsegae, que opera a Starbucks na Coreia do Sul, acusando-os de difamação.
As buscas representam o mais recente desdobramento da crise, que já havia levado a empresa a pedir desculpas publicamente, demitir seu principal executivo no país e promover treinamentos obrigatórios para os funcionários.
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A controvérsia começou em 18 de maio, quando a Starbucks Korea lançou uma campanha para divulgar uma nova linha de copos térmicos de grande capacidade chamada “SS Tank”.
A empresa classificou a data como “Tank Day” (“Dia do Tanque”), coincidindo com o 46º aniversário do Levante de Gwangju.
🔎 O levante ocorreu em maio de 1980, quando estudantes e moradores da cidade de Gwangju protestaram contra a ditadura militar. A repressão foi conduzida pelo Exército, que enviou soldados, tanques e outros veículos militares às ruas.
Segundo o balanço oficial, 165 civis morreram na operação, embora grupos de direitos humanos afirmem que o número real de vítimas pode ter sido maior.
A campanha foi amplamente criticada por banalizar um dos principais símbolos da luta pela democracia na Coreia do Sul e por desrespeitar a memória das vítimas, consideradas mártires por muitos sul-coreanos.
O anúncio também utilizava o slogan “Bata na mesa!”, expressão associada por críticos a uma frase usada por autoridades em 1987 para tentar encobrir a morte sob tortura do estudante e ativista Park Jong-chol, cuja morte ajudou a impulsionar os protestos que culminaram na redemocratização do país.
Diante da reação negativa, o Grupo Shinsegae retirou a campanha do ar poucas horas após seu lançamento.
A empresa também demitiu o CEO da Starbucks Korea e divulgou um pedido público de desculpas por meio de seu presidente, Chung Yong-jin, reconhecendo a gravidade da repercussão.
Em junho, a Starbucks anunciou uma série de medidas para tentar restaurar sua imagem. Pela primeira vez desde a chegada da rede à Coreia do Sul, em 1999, todas as mais de 2.000 lojas do país fecharam mais cedo para que os funcionários participassem de um treinamento obrigatório sobre história e sensibilidade social.
Executivos e empregados da sede assistiram a aulas ministradas por professores de história e sociologia, enquanto os demais colaboradores acompanharam a gravação da sessão.
Segundo a empresa, a iniciativa buscava evitar que episódios semelhantes voltassem a ocorrer.
A Coreia do Sul é o terceiro maior mercado da Starbucks no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, o que dá ainda mais visibilidade à crise enfrentada pela companhia no país.

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