Comercio Global

‘Presente de Natal’, ‘desfecho positivo’ e ‘resultado concreto de negociações’: veja repercussão após EUA retirarem tarifas de 40% produtos do Brasil


EUA retiram tarifas de 40% de alguns produtos brasileiros
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (21) a retirada da tarifa de 40% de alguns produtos brasileiros, decisão publicada pela Casa Branca. A decisão é válida para produtos que entraram nos EUA a partir de 13 de novembro.
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A seleção inclui carne bovina, café, açaí, cacau e diversos outros produtos. São mais de 200 itens que foram acrescentados à lista de exceções do tarifaço aplicado ao Brasil.
Na semana passada, os Estados Unidos já haviam reduzido as tarifas de importação de cerca de 200 produtos alimentícios, incluindo café, carne, açaí e manga. Para o Brasil, as taxas haviam caído de 50% para 40%.
Agora, a tarifa para os produtos brasileiros como o café e a carne, que aparecem nas duas decisões da Casa Branca, retorna para os patamares anteriores ao tarifaço de Trump.
Veja o que setores e autoridades dizem sobre a decisão:
Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC)
O setor de carnes comemorou a decisão por considerar que reforça a estabilidade no comércio dos países e mantém condições equilibradas. Em nota, afirmou a “medida demonstra a efetividade do diálogo técnico e das negociações conduzidas pelo governo brasileiro, que contribuíram para um desfecho construtivo e positivo”.
Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé)
Representante do setor de café considerou um “presente de Natal antecipado” a decisão dos EUA em incluir o café entre os produtos que terão as tarifas retiradas. Ele citou a decisão anterior que envolvia o mundo inteiro, a qual piorou a situação dos cafeicultores brasileiros.
“Agora estamos com isonomia, vamos procurar recuperar todos os espaços com as marcas. Foi um trabalho muito intenso dos nossos parceiros nos EUA, principalmente após a última modificação da ordem executiva. Para nós, é um momento de celebração, um presente de natal antecipado. Vamos concorrer com nossa sustentabilidade e competitividade em pé de igualdade, como a gente sempre quis”, afirmou ao g1.
Decisão de Trump cita conversa com Lula e ‘progresso’ nas negociações
Amcham Brasil, Câmara Americana de Comércio para o Brasil
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil definiu como “muito positiva” a decisão dos Estados Unidos e reforçou a necessidade de intensificar o diálogo entre Brasil e EUA para “estender a eliminação dessas sobretaxas aos demais produtos ainda impactados”.
“A medida representa um avanço importante rumo à normalização do comércio bilateral, com efeitos imediatos para a competitividade das empresas brasileiras envolvidas e sinaliza um resultado concreto do diálogo em alto nível entre os dois países”, disse a Amcham, em nota.
Carlos Fávaro, ministro da Agricultura
O ministro classificou como “excelente notícia” e “tranquilizadora” a decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa adicional de 40% sobre parte dos produtos brasileiros. “É uma excelente notícia e muito tranquilizadora, porque é boa para os produtos brasileiros e para os consumidores americanos”, afirmou.
“Ainda tem muito a negociar, mas para a agropecuária brasileira foi excelente”, afirmou e citou o presidente Lula. “Como diz o presidente Lula, não tem assunto proibido. Tudo é possível no diálogo de alto nível”.
Luis Rua, secretário de comércio e relações internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária:
Responsável pela área de relações exteriores do ministério, Luís Rua afirmou que além de carne, café e frutas, a decisão é “muito importante” para água de coco e castanhas, cadeias produtivas também incluídas na retirada de tarifas.
“É uma excelente notícia para o Brasil, que é um importante provedor de alguns produtos agropecuários, e agora passa novamente a ter acesso competitivo ao relevante mercado dos EUA, apoiando assim na estabilização de preços para alguns produtos”, afirmou.
ANA FLOR: Negociadores do Brasil veem data da retirada do tarifaço como sinal político
Lindberg Farias, líder do PT na Câmara dos Deputados
Líder do PT na Câmara, deputado federal exaltou a “liderança” do presidente Lula, o “trabalho estratégico” do vice-presidente Geraldo Alckmin e a “diplomacia firme e competente” do ministro Mauro Vieira, para a decisão dos EUA.
“A medida fortalece o setor produtivo primário do nosso país, reduz custos e amplia a competitividade dos nossos produtores. É resultado direto de uma política econômica alinhada com uma política externa profissional que negocia, dialoga e constrói soluções em vez de gerar crise, isolamento e entrega de soberania. Com diálogo real, diplomacia ativa e compromisso com o interesse nacional, o Brasil volta a ocupar seu lugar como ator confiável, previsível e relevante nas grandes mesas globais”, escreveu em sua página na rede social X.
[Esta reportagem está em atualização]
Donald Trump, presidente dos EUA, e Lula, do Brasil, durante encontro na Malásia, no dia 26 de outubro
Evelyn Hockstein/Reuters

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