Lula determina que diretor-geral da PF procure André Mendonça para reduzir tensão

Lula articula reunião entre André Mendonça e diretor-geral da PF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deve se reunir nos próximos dias com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, numa tentativa de distensionar uma relação atualmente marcada pela desconfiança.
Mendonça é o relator de dois inquéritos considerados hoje os de maior potencial de desgaste político e eleitoral para o governo: os casos Dark Horse/Master e INSS/Lulinha (entenda mais abaixo).
O blog apurou que o encontro foi determinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e será mediado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
O pano de fundo da reunião é a crescente desconfiança entre integrantes da PF e o gabinete do ministro sobre o ritmo das investigações desses casos e também sobre vazamentos de informações.
Montagem com fotos do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do ministro do STF André Mendonça
Andressa Anholete/Agência Senado e Gustavo Moreno/STF
Divergência entre ministros
Dentro do STF, a condução dos inquéritos também expôs divergências entre ministros.
A diferença de visão é mais evidente entre o vice-presidente da Corte, Alexandre de Moraes, e André Mendonça, responsável pelos processos com maior repercussão política no momento, especialmente o caso Master, que também afeta ministros da corte.
Nesse contexto, decisões e movimentos do diretor-geral da PF relacionados ao andamento das apurações, à designação de delegados e à alocação de recursos para as equipes passaram a ser alvo de críticas.
Entre interlocutores de parte a parte ouvidos pelo blog, são citadas a desconfiança na PF por vazamentos, pelo interesse do governo em desacelerar investigações do caso Lulinha e acelerar aquelas relacionadas ao caso Dark Horse e ate a proximidade de Andrei Rodrigues com Alexandre de Moraes.
Também aparece a desconfiança sobre o relator dos casos no STF e sua proximidade com nomes de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro — Mendonça foi indicado por ele — que desejam uma investigação mais lenta do caso Dark Horse.
Investigações
A investigação sobre o filme Dark Horse é um desdobramento do caso Master, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O inquérito relatado por André Mendonça passou a investigar repasses para a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro após a revelação de mensagens nas quais o senador Flávio Bolsonaro pedia recursos a Vorcaro para financiar o longa.
A Polícia Federal apura a origem dos recursos, a eventual existência de contrapartidas políticas e suspeitas de que parte do dinheiro tenha sido utilizada para custear atividades de aliados de Bolsonaro nos Estados Unidos.
O caso também provocou uma disputa sobre a relatoria no STF. Enquanto setores ligados ao PT defendiam a condução do tema por Alexandre de Moraes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) entendeu que a investigação tinha conexão direta com o caso Master, sob responsabilidade de André Mendonça. O entendimento prevaleceu e o processo permaneceu com Mendonça.
Nos bastidores do STF, o avanço das investigações passou a se misturar a divergências entre grupos de ministros e a disputas sobre o ritmo das apurações, compartilhamento de provas e definição das estratégias investigativas.
Já o caso INSS/Lulinha reúne inquéritos abertos a partir de desdobramentos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As investigações alcançaram o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e são consideradas uma das principais preocupações políticas do governo no atual ciclo eleitoral.
Por envolver personagens com potencial impacto na disputa presidencial de 2026, os casos Master, Dark Horse e INSS/Lulinha são considerados hoje alguns dos processos de maior repercussão política em tramitação na Corte.
