Dólar opera em queda no primeiro pregão de 2026; Ibovespa também cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
No primeiro pregão de 2026, o dólar opera em queda de 0,74% nesta sexta-feira (2), cotado a R$ 5,4480 por volta das 12h30. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também tem leve queda, de 0,15%, aos 160.880 pontos.
Trata-se de um dia de altos e baixos no mercado, já que o volume de negócios segue bastante reduzido em razão da emenda do feriado de Ano Novo.
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O dólar, portanto, mantém a tendência de desvalorização vista nos últimos dias do ano passado. A moeda americana encerrou 2025 com desvalorização superior a 10%, como mostrou o g1. Este foi o pior desempenho anual do dólar em quase uma década.
O g1 também explicou o bom momento do Ibovespa, que acumulou valorização superior a 33% em 2025. Foi o maior ganho anual desde 2016, mesmo com os juros no nível mais alto dos últimos 20 anos.
Sem grandes eventos previstos para esta sexta-feira, o mercado já direciona a atenção para a próxima semana.
▶️ Na sexta, será divulgada mais uma edição do payroll, o principal relatório sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. O nível de emprego passou a ser um dos principais fatores avaliados pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA, na decisão sobre novos cortes de juros.
O mercado espera dois cortes de juros neste ano. No entanto, a força do mercado de trabalho pode pressionar a inflação americana e levar os dirigentes do Fed a manter os juros em patamar mais alto para promover uma desaceleração mais gradual da economia.
▶️ O mercado também acompanha a escolha do próximo presidente do Fed. O mandato de Jerome Powell termina em maio, e o presidente dos EUA, Donald Trump, deve anunciar o novo nome ainda neste mês. O favorito é Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca.
▶️ No exterior, a China reafirmou a meta de crescer 5% em 2025. A meta ousada demanda investimentos elevados, especialmente em infraestrutura e indústria, o que amplia a demanda por matérias-primas.
🔎 O Brasil é justamente um dos principais fornecedores desses insumos. A manutenção da meta chinesa reforça a expectativa de demanda firme por produtos como o minério de ferro, o que favorece empresas do setor e dá suporte ao Ibovespa neste início de ano.
❌ Em contrapartida, as novas cotas e tarifas da China sobre a carne pressionam o setor de proteína animal e reforçam um cenário de comércio global mais complicado para 2026.
▶️ No mais, a situação das contas públicas no Brasil segue no radar. Os avanços do déficit e da dívida pressionam os juros e limitam o apetite dos investidores por ativos de risco.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,99%;
Acumulado do mês: +2,88%;
Acumulado do ano: -11,18%.
📈Ibovespa
C
Acumulado da semana: +0,14%;
Acumulado do mês: +1,29%;
Acumulado do ano: +33,95%.
Bolsas globais
Com vários mercados ainda operando em ritmo lento por causa dos feriados (Japão e China, por exemplo, permaneceram fechados), o volume de negociações foi baixo.
Mesmo assim, as bolsas globais começaram 2026 em alta. Em 2025, o índice MSCI World, que reúne ações de grandes mercados, subiu mais de 20%, o melhor desempenho desde 2019.
Para 2026, analistas projetam crescimento dos lucros das empresas em torno de 12%, mantendo o clima relativamente positivo.
Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street avançaram no primeiro pregão do ano. S&P 500, Dow Jones e Nasdaq vêm de três anos seguidos de ganhos, impulsionados principalmente pelas ações ligadas à inteligência artificial.
No entanto, o mercado terminou 2025 com alguma perda de fôlego, especialmente no setor de tecnologia, à medida que investidores ajustaram suas posições para o novo ano.
Analistas alertam que o desempenho do primeiro dia do ano não costuma ser um bom termômetro para o resto do período. Ainda assim, o foco segue claro: juros, política monetária e o impacto das decisões do governo Trump.
Na Europa, o clima foi mais animado. As ações do continente atingiram novas máximas históricas. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu cerca de 0,6%, enquanto o FTSE 100, de Londres, ultrapassou pela primeira vez a marca simbólica de 10 mil pontos.
O bom momento europeu vem sendo sustentado por juros mais baixos, estímulos fiscais — especialmente na Alemanha — e pela migração de parte dos investimentos que antes estavam concentrados em ações de tecnologia dos EUA.
Setores ligados à defesa, bancos, energia e commodities lideraram os ganhos. Já o setor imobiliário ficou para trás. Mesmo com sinais de enfraquecimento da indústria na zona do euro, investidores seguem apostando que o continente pode atravessar 2026 em situação mais estável do que se imaginava meses atrás.
Na Ásia, o destaque ficou para Hong Kong. O índice Hang Seng subiu forte e atingiu o maior nível em cerca de um mês e meio, embalado pelo otimismo renovado com o setor de inteligência artificial da China.
A divulgação de novas tecnologias mais baratas para desenvolver IA reacendeu o interesse dos investidores. Além disso, a estreia explosiva de uma empresa chinesa de chips de IA na bolsa de Hong Kong reforçou a percepção de que o setor pode ser um dos grandes motores do mercado em 2026.
Outros mercados asiáticos, como Taiwan, Coreia do Sul e Singapura, também alcançaram recordes. Já Japão e China continental ficaram fechados e só voltam a operar nos próximos dias.
🪙 Ouro segue como porto seguro
Os metais preciosos continuam em alta. O ouro subiu mais de 1% no primeiro pregão do ano, ampliando um movimento histórico: em 2025, o metal teve a maior valorização em 46 anos. Prata e platina também registraram os maiores ganhos de sua história.
Esse movimento reflete a busca por proteção diante da fraqueza do dólar, das tensões geopolíticas e da expectativa de juros mais baixos nos EUA. Bancos centrais e grandes investidores seguem aumentando suas posições em ouro.
Já o petróleo começou 2026 tentando se recuperar após um ano difícil. Em 2025, os preços registraram a maior queda anual desde 2020.
No primeiro dia útil do ano, o Brent e o petróleo americano oscilaram pouco, com leves altas ou quedas, em meio a dúvidas sobre o crescimento global e a demanda por energia.
Notas de dólar.
Luisa Gonzalez/ Reuters
