Dólar opera em queda de olho na escalada entre EUA e Irã e no Orçamento brasileiro

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera com queda nesta segunda-feira (31), recuando 0,59% por volta das 9h25, cotado a R$ 5,1655. O Ibovespa, prinicipal índice da bolsa brasileira, inicia as suas negociações às 10h.
Os mercados começam a semana sob pressão após uma nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. No Brasil, a agenda concentra compromissos ligados ao Orçamento de 2027 e às negociações comerciais com os EUA.
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▶️ Nos EUA, os mercados reagem à primeira ofensiva americana contra o Irã desde o fim de julho, que elevou as preocupações com a inflação. Com a nova escalada do conflito, os preços do petróleo avançam nesta segunda-feira (31). Por volta das 8h50 (de Brasília), o Brent subia 3,28%, a US$ 91,01 por barril, enquanto o WTI avançava 3,53%, a US$ 86,17.
▶️ No Brasil, o governo apresenta ao Congresso o projeto do Orçamento de 2027, enquanto a Câmara deve votar à noite a medida provisória que trata do fim da chamada “taxa das blusinhas”. Ao longo do dia, ministros também participam de eventos e reuniões sobre o Orçamento e as negociações comerciais com os EUA.
▶️ Ainda na agenda brasileira, Dario Durigan, ministro da Fazenda, participa de evento do BTG Pactual, e Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, fala sobre o Orçamento de 2027. Durante a tarde, Márcio Elias Rosa se reúne com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, para discutir o tarifaço.
▶️ Nos EUA, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, participa de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +1%;
Acumulado do mês: +2,49%;
Acumulado do ano: -5,33%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +2,71%;
Acumulado do mês: -1,31%;
Acumulado do ano: +9,02%.
Fed sinaliza que pode manter juros altos
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou nesta sexta-feira que o banco central americano ainda pode precisar agir para conter a inflação.
“Devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer”, disse Warsh durante discurso no simpósio do Federal Reserve, em Jackson Hole.
Warsh destacou que o avanço dos preços nos últimos dois anos foi modesto e que os dados recentes “não me indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente”.
🔎 A inflação medida pelo PCE, índice acompanhado pelo Fed, estava em 3,7% em 12 meses até julho, acima da meta de 2%.
O presidente do Fed também afirmou que os mercados de crédito e empréstimos mostram “poucos sinais de restrição da política monetária”, o que indica que os juros atuais podem não estar exercendo pressão suficiente sobre a economia.
Ao mesmo tempo, ele disse que as expectativas de inflação estão ancoradas, mas precisam ser “acompanhadas de perto”, e ressaltou que suas declarações não representam uma indicação sobre os próximos passos do banco central.
Em meio à repercussão do discurso de Warsh, a plataforma FedWatch, do CME Group, passou a apontar 59,5% de probabilidade de o Fed elevar os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.
Para Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o discurso teve “um tom mais hawkish” — uma postura mais preocupada com a inflação e mais favorável à manutenção ou até à alta dos juros para conter a pressão sobre os preços —, e reforçou que a inflação ainda não está desacelerando rápido o suficiente.
“Warsh também demonstrou preocupação com a pressão das commodities, especialmente do petróleo”, afirmou.
Segundo Praça, a reação mais clara apareceu nos juros dos títulos do governo americano, que subiram e atingiram máximas recentes. “O movimento reflete a perspectiva de uma política monetária restritiva por mais tempo”, disse.
Bolsas globais
Os mercados internacionais iniciam a semana sob influência da escalada dos confrontos entre EUA e Irã, que elevou os preços do petróleo e aumentou as preocupações com a inflação e a possibilidade de juros mais altos por mais tempo.
Em Wall Street, os índices futuros apontavam queda, com recuo de 0,18% para o Dow Jones, 0,17% para o S&P 500 e 0,10% para o Nasdaq.
Na Europa, as bolsas operavam próximas da estabilidade. O STOXX 600 recuava 0,02%, enquanto o DAX, de Frankfurt, caía 0,63%.
Na contramão, o CAC 40, de Paris, avançava 0,21%, e o FTSE 100, de Londres, subia 0,29%.
Na Ásia, o movimento foi diferente. As bolsas chinesas fecharam em alta, com a valorização das empresas de tecnologia compensando as preocupações com dados econômicos mais fracos e a queda das ações do setor imobiliário após mudanças promovidas pelo governo chinês.
Em Xangai, o SSEC subiu 0,86%, aos 3.986 pontos, e o CSI300 avançou 0,35%, aos 4.625 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,07%, aos 25.566 pontos, enquanto, em Tóquio, o Nikkei recuou 0,14%, aos 66.311 pontos.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar
Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo
