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Dólar opera em queda com investidores atentos à inflação e julgamento de Bolsonaro; bolsa sobe

Julgamento encerra o dia com dois votos para condenar Jair Bolsonaro e outros sete réus que compõem o núcleo central da trama do golpe
O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (10) em queda. Por volta das 11h, a moeda americana recuava 0,19%, cotada a R$ 5,4255. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subia 0,01%, aos 141.638 pontos.
O dia será marcado pela divulgação de dados da inflação no Brasil e nos Estados Unidos, que movimentam o radar econômico dos investidores. No campo político, as atenções se voltam para mais uma etapa do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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▶️ Nesta quarta-feira, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), será o terceiro a votar no julgamento que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados. Eles respondem por participação na tentativa de golpe de Estado.
Com a conclusão do julgamento prevista para sexta-feira (12), a percepção no mercado é de que a condenação de Bolsonaro é praticamente certa. A preocupação, no entanto, é que a decisão possa provocar novas reações negativas por parte do governo dos Estados Unidos.
▶️ Ainda no Brasil, o IBGE divulgou os dados da inflação referentes a agosto. O IPCA registrou queda de 0,11% no mês, após uma alta de 0,26% em julho. No acumulado de 12 meses até agosto, a inflação ficou em 5,13%. Os números vieram próximos das projeções do mercado, que apontavam para uma queda mensal de 0,15% e uma taxa anual de 5,09%.
▶️ No cenário internacional, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de agosto dos EUA foi publicado hoje. O índice subiu 2,6% na comparação anual, abaixo da alta de 3,3% esperada por economistas. Na comparação mensal, o índice caiu 0,1%, contrariando a estimativa de alta de 0,3%.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,42%;
Acumulado do mês: +0,26%;
Acumulado do ano: -12,04%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -0,72%;
Acumulado do mês: +0,13%;
Acumulado do ano: +17,73%.
Julgamento de Bolsonaro
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (10) o julgamento da chamada trama golpista.
O relator, ministro Alexandre de Moraes, e o ministro Flávio Dino já votaram pelas condenações dos réus.
Ao começar a sua fala, Fux destacou a importância do papel do juiz e votou pela incompetência do STF para julgar a ação — algo que ele já tinha dito no recebimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), em março.
“A Constituição da República delimita de forma precisa a restrita a hipótese que nos cabe atuar originariamente no processo penal. Trata-se, portanto, de competência excepcionalíssima, tal atribuição aproxima o Supremo dos juízes criminais de todo o país”, afirmou Fux.
Em meio a isso, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse ontem que o governo de Donald Trump está disposto a “usar meios militares” para “proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo” em referência a uma eventual condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, a porta-voz disse também que, no momento, “não há nenhuma ação adicional” contra o governo brasileiro.
A Embaixada dos EUA no Brasil repostou a fala de Leavitt.
Sem citar os EUA, o Itamaraty publicou uma nota condenando “o uso de sanções econômicas ou ameaças de uso da força” contra a democracia brasileira.
IPCA de agosto
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, aponta que os preços caíram 0,11% em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A inflação teve uma desaceleração no mês passado, já que o resultado ficou 0,37 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,26% de julho. Ainda assim, o resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que apontava uma queda de 0,15% na inflação de agosto.
Com os resultados de agosto, o IPCA acumula uma alta de 5,13% nos últimos 12 meses. O resultado permanece acima da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%. Em 2025, os preços já subiram 3,15%.
Inflação nos EUA
Nesta quarta-feira, o Departamento do Trabalho dos EUA mostrou que o Índice de Preços ao Produtor (PPI) subiu 2,6% em agosto na comparação anual, abaixo da alta de 3,3% esperada por economistas consultados pela Reuters. Na comparação mensal, o índice caiu 0,1%, contrariando a estimativa de alta de 0,3%.
Desconsiderando os componentes mais voláteis, como alimentos e energia, o chamado núcleo do PPI teve alta de 2,8% em relação ao ano anterior, também abaixo da expectativa de 3,5%.
Após a divulgação, o presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou seu apelo para que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, corte as taxas de juros de referência.
“Recém divulgado: Sem inflação!!! ‘Tarde demais’ precisa baixar a TAXA, MUITO, agora mesmo. Powell é um desastre total, quem não tem a mínima ideia!!!”, disse Trump em uma publicação no Truth Social.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados futuros dos EUA operam mistos nesta quarta, impulsionados principalmente pela valorização da empresa de tecnologia Oracle. Além disso, os investidores aguardam a divulgação de dados sobre os preços ao produtor, que podem trazer pistas sobre a inflação no país e influenciar a decisão do banco central sobre os juros.
Por volta das 09h45 (horário de Brasília), os índices futuros mostravam movimentos mistos: o Dow Jones caía 0,25%, enquanto o S&P 500 subia 0,14% e o Nasdaq avançava 0,08%.
Já as bolsas europeias operam em alta, com destaque para o setor de varejo e saúde. A gigante espanhola Inditex, dona da Zara, teve forte valorização após informar que as vendas voltaram a crescer. A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou cortes de custos e de pessoal para enfrentar desafios no mercado de medicamentos para perda de peso.
Por volta das 9h45 (horário de Brasília), o índice europeu STOXX 600 subia 0,5%, perto da máxima de duas semanas. O CAC 40, da França, avançava 0,8%.
Por fim, os mercados asiáticos fecharam em alta, com destaque para as bolsas da China e de Hong Kong. Os investidores reagiram positivamente aos dados de inflação, que mostraram sinais de recuperação na indústria chinesa, indicando que os esforços do governo para conter a queda de preços estão surtindo efeito.
No fechamento, os principais índices asiáticos registraram ganhos: o Nikkei, do Japão, subiu 0,9%; o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 1,01%; o índice de Xangai teve alta de 0,13%; e o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, subiu 0,21%.
Cotação do dólar mostra menor confiança na economia brasileira devido a gastos e dívidas do governo
Jornal Nacional/ Reprodução
*Com informações da agência de notícias Reuters

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