Dólar opera em alta e bate R$ 5,60, com retomada do aumento do IOF; Ibovespa cai
Alckmin faz hoje novas reuniões sobre o tarifaço de Donald Trump
O dólar opera em alta de 0,39% nesta quinta-feira (17), cotado em R$ 5,5828 por volta das 10h15. Na máxima, chegou a R$ 5,6093. O Ibovespa, principal índice da bolsa, opera em leve queda, de 0,16%, aos 135.300 pontos.
O dia é de agenda mais esvaziada, em que os agentes econômicos vão analisar dados econômicos dos Estados Unidos, como dados do varejo de junho e os pedidos semanais de seguro-desemprego. O restante das pautas é essencialmente político.
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▶️ No Brasil, um dos destaques é a nova bateria de resultados da pesquisa Quaest, agora sobre a disputa para a Presidência da República nas eleições de 2026. Segundo a sondagem, o presidente Lula (PT) lidera em todos os eventuais cenários de 1º turno.
Além disso, Lula se distanciou de todos os adversários no 2º turno, exceto do governador de SP, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A pesquisa traçou quatro cenários de 1º turno e oito cenários de 2º turno.
“As simulações de segundo turno mostram os efeitos negativos da associação de Bolsonaro ao tarifaço de Trump contra o Brasil. Na pesquisa anterior, ele e Lula estavam numericamente empatados, com 41% cada. Agora, Lula abriu 6 pontos de vantagem”, diz Felipe Nunes, diretor da Quaest.
▶️ Também por aqui, o presidente Lula vetou integralmente o projeto de lei que aumentava de 513 para 531 o número de deputados federais. O texto gerou forte repercussão negativa pelo aumento de gastos e foi alvo de críticas por parte da opinião pública.
▶️ Outro ponto importante foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que restabelece quase todo o decreto que aumentou alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O ministro retomou as cobranças e apenas suspendeu o trecho que previa cobrança de IOF sobre operações do tipo “risco sacado” — um modelo de antecipação de recebíveis usado por pequenas empresas como forma de obter capital de giro. Veja aqui o que está valendo.
▶️ Investidores seguem monitorando o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ontem, ele confirmou o teor político por trás da tarifa de 50% imposta ao Brasil, com nova menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“[Taxamos] 50% em um caso, o Brasil, porque o que estão fazendo com o ex-presidente é uma desgraça”, disse o republicano em entrevista a jornalistas na Casa Branca.
Nesta quinta, o vice-presidente Geraldo Alckmin mantém agenda com empresários para alinhar resposta aos EUA. (veja no vídeo acima)
Veja abaixo como esses fatores impactam o mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,24%;
Acumulado do mês: +2,35%;
Acumulado do ano: -10,01%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -0,58%;
Acumulado da semana: -0,50%;
Acumulado do mês: -2,41%;
Acumulado do ano: +12,66%.
Dados fortes nos Estados Unidos
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram para 221 mil na semana encerrada em 12 de julho, abaixo da estimativa de 235 mil, indicando que o mercado de trabalho nos EUA continua resiliente.
Apesar da redução nas solicitações iniciais, o número de pessoas que continuam recebendo o benefício subiu levemente, para 1,956 milhão. Isso mostra que os demitidos estão levando mais tempo para se recolocar, enquanto as contratações seguem moderadas, por conta da cautela das empresas diante da incerteza econômica e do cenário tarifário.
O setor automotivo pode ter influenciado os dados devido a paralisações sazonais para manutenção e ajustes de produção. Paralelamente, o impacto das tarifas contra México, Japão, Canadá, Brasil e União Europeia também pesa nas decisões de contratação.
No varejo, as vendas cresceram 0,6% em junho, superando as expectativas. Mas analistas entendem que parte desse avanço se deve à alta de preços, e não ao aumento no volume de vendas. Produtos sensíveis a tarifas, como móveis e eletrodomésticos, apresentaram forte elevação de preços.
As vendas no varejo núcleo, que excluem automóveis, gasolina, materiais de construção e alimentos, também apresentaram alta de 0,5%, ante 0,2% em maio. “O setor doméstico ainda se mantém firme, mas há sinais de moderação no consumo”, avaliou Sam Bullard, da Wells Fargo, à agência Reuters.
Efeito Trump
Levantamento da Quaest mostra Lula liderando todos os cenários simulados de primeiro turno para a eleição de 2026. No segundo turno, Lula também aparece à frente de todos os adversários, exceto Tarcísio de Freitas (Republicanos), com quem empata no limite da margem de erro.
O levantamento incluiu nomes como Michelle Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Ratinho Júnior, Eduardo Leite, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, mas nenhum deles conseguiu se aproximar da liderança de Lula nas simulações de primeiro turno.
É a primeira vez, desde março, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece atrás de Lula em uma simulação de segundo turno. Segundo a Quaest, Lula abriu seis pontos de vantagem após ter empatado na pesquisa anterior.
De acordo com Felipe Nunes, diretor da Quaest, a virada estaria ligada à associação entre Bolsonaro e o tarifaço de Donald Trump.
Lula veta o aumento de deputados
O presidente Lula vetou integralmente o projeto que aumentava de 513 para 531 o número de deputados federais, com base em argumentos de responsabilidade fiscal e eficiência administrativa.
O projeto foi aprovado para cumprir uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a redistribuição das cadeiras da Câmara com base nos dados do Censo de 2022. Para evitar a perda de vagas por estados menos populosos, o Congresso optou por aumentar o número total de assentos.
A proposta, no entanto, gerou forte reação negativa da opinião pública. Segundo a Quaest, 85% dos brasileiros se declararam contrários ao aumento no número de deputados federais.
Com o veto presidencial, a responsabilidade de aplicar a decisão do STF passa agora ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deverá redistribuir as cadeiras entre os estados sem alterar o número total de parlamentares.
Aumento do IOF
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, restabeleceu quase integralmente o decreto do governo que aumentou as alíquotas do IOF. A única exceção foi a tentativa de tributar operações de risco sacado, considerada inconstitucional por criar uma nova base de incidência sem respaldo legal específico.
Segundo Moraes, esse trecho violava o princípio da legalidade. O risco sacado é uma linha de crédito utilizada por pequenas empresas para antecipar valores com bancos, e seria fortemente impactado pela medida.
Com a decisão, voltam a vigorar as novas alíquotas sobre compras internacionais com cartão (3,5%), remessas ao exterior (3,5%), empréstimos a empresas (0,0082% ao dia), seguros VGBL (5%) e fundos de direitos creditórios (0,38%).
O governo estimava arrecadar R$ 12 bilhões com as mudanças no IOF em 2025, sendo R$ 1,2 bilhão apenas com o risco sacado.
Notas de dólar
Dado Ruvic/ Reuters
