Comercio Global

Dólar opera em alta com investidores reagindo ao PIB do 2º trimestre; bolsa cai

A primeira turma do STF vai começar a julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus por tentativa de golpe de Estado
O dólar opera com alta a sessão desta terça-feira (2). Por volta das 13h30, a moeda americana subia 0,32%, cotada a R$ 5,4563. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,56%, aos 140.496 pontos.
Apesar do retorno do feriado nos Estados Unidos — que ontem reduziu o volume de negociações globais devido ao fechamento das bolsas americanas — os investidores voltam suas atenções para o Brasil, com a divulgação do PIB e do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro .
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
▶️ O IBGE divulgou os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que indicam o desempenho da economia brasileira. A alta foi de 0,4%, uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre (1,3%). Ainda assim, superou levemente as estimativas do mercado, que previam alta de 0,3% (veja mais baixo).
▶️ Nesta terça-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete pessoas acusadas de envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2022.
O mercado está apreensivo diante da possibilidade de que uma condenação ao ex-presidente leve o governo de Donald Trump a impor novas sanções contra integrantes do Supremo.
Esse temor se reflete especialmente no setor bancário, já que instituições financeiras podem ser diretamente afetadas por medidas previstas na Lei Magnitsky. No Ibovespa, ações caem em bloco (veja mais abaixo).
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,32%;
Acumulado do mês: +0,32%;
Acumulado do ano: -11,99%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -0,10%;
Acumulado do mês: -0,10%;
Acumulado do ano: +17,46%.
PIB desacelera, mas ainda cresce 0,4%
O PIB do Brasil cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (2). Em valores correntes, a economia movimentou R$ 3,2 trilhões.
Com esse resultado, o PIB acumulou 16 trimestres seguidos de alta e alcançou o maior nível da série histórica, iniciada em 1996. Os setores de Serviços e Consumo das Famílias também registraram recordes.
O resultado mostra uma forte desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando a expansão foi de 1,3%. Ainda assim, superou levemente as estimativas do mercado, que previam alta de 0,3%. Na comparação com o mesmo período de 2024, o PIB cresceu 2,2%.
Veja os principais destaques do PIB no 2º trimestre
Serviços: 0,6%
Indústria: 0,5%
Agropecuária: -0,1%
Consumo das famílias: 0,5%
Consumo do governo: -0,6%
Investimentos: -2,2%
Exportações: 0,7%
Importação: -2,9%
O economista Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados, compara o desempenho trimestral do PIB à trajetória de um carro.
“Após uma arrancada intensa no início do ano, é como se o motor tivesse perdido força, e a economia já não avançasse com o mesmo ritmo do primeiro trimestre.”
Ele avalia que as razões que levaram a essa desaceleração vem tanto da agropecuária, que depois de ser a “estrela” dos três primeiros meses do ano, agora está “tirando o pé do acelerador” — visto que o primeiro trimestre, que é o período de colheita, há um crescimento maior. Além disso, a política monetária também influenciou, mantendo a taxa básica de juros em níveis elevados.
“Os juros altos hoje funcionam como um peso na mochila da economia. Ela avança, mas com dificuldade, e os juros elevados acabam comprometendo o fôlego da atividade econômica”, completa.
Julgamento de Bolsonaro
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar a partir desta terça-feira (2) a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus, por tentativa de golpe de Estado em 2022.
Serão julgados o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus do chamado núcleo 1, ou crucial, que reúne aqueles que são considerados os principais integrantes da suposta organização criminosa denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). São eles:
os ex-ministros Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Braga Netto (Casa Civil) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa);
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Diante disso, há um receio entre os investidores de que uma possível condenação do ex-presidente leve o governo de Donald Trump a impor novas sanções contra integrantes do Supremo.
Durante o pregão desta terça-feira, as ações bancárias operavam mistas — com mais quedas do que altas —, já que as empresas do setor podem ser diretamente afetadas por medidas previstas na Lei Magnitsky.
Confira as cotações por volta das 14h30:
Banco do Brasil (BBAS3): -3,32%
Bradesco (BBDC4): -0,82%
BTG Pactual (BPAC11): +0,08%
Itaú (ITUB4): -0,95%
Santander (SANB11): +0,19%
Bolsas globais
Os principais índices de Wall Street atingiram a mínima de mais de uma semana nesta terça-feira, com os investidores retornando de um feriado preocupados com a legalidade das tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aguardando dados econômicos cruciais.
O Dow Jones caía 0,61%, a 45.265,30 pontos. O S&P 500 tinha queda de 0,84%, a 6.406,16 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuava 0,92%, a 21.257,56 pontos.
Na Europa, a instabilidade fiscal em países como França e Reino Unido gerou preocupação nos mercados europeus nesta terça-feira (2). Esse cenário fez com que os juros subissem de forma significativa em algumas das principais economias da região.
Com isso, os principais índices europeus fecharam em queda. O Stoxx 600 caiu 1,47%, ficando em 543,35 pontos. Em Frankfurt, o DAX recuou 2,29%, aos 23.487,33 pontos. O CAC 40, de Paris, perdeu 0,70%, encerrando em 7.654,25 pontos. Já o FTSE 100, de Londres, teve baixa de 0,87%, fechando em 9.116,69 pontos.
Na Ásia, os mercados foram influenciados pela realização de lucros nas ações de tecnologia, especialmente na China e em Hong Kong. Após uma forte valorização de empresas ligadas à inteligência artificial, investidores decidiram vender parte dos papéis, à espera do discurso do presidente Xi Jinping.
Na China, o índice de Xangai caiu 0,45%, fechando em 3.858 pontos, enquanto o CSI300 recuou 0,74%, para 4.490 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,47%, encerrando em 25.496 pontos. Já o Nikkei, em Tóquio, subiu 0,3%, atingindo 42.310 pontos.
O dólar opera cotado acima de R$ 6,00 no mercado à vista na manhã desta quarta-feira, 9, estendendo ganhos frente ao real pelo quarto pregão consecutivo, diante do acirramento da guerra comercial entre os EUA e a China.
Adriana Toffetti/Estadão Conteúdo
*Com informações da agência de notícias Reuters

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *