Comercio Global

Dólar cai e fecha em R$ 5,36, de olho em dados dos EUA e noticiário corporativo; Ibovespa sobe


Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar fechou a sessão desta quinta-feira (15) em queda de 0,62%, cotado a R$ 5,3680. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava em alta na última hora do pregão e caminhava para um novo recorde de fechamento.
Os investidores reagiram a uma combinação de fatores no Brasil e no exterior nesta quinta-feira. No cenário doméstico, investigações envolvendo o sistema financeiro mexeram com os mercados, enquanto, fora do país, indicadores econômicos voltaram ao radar dos investidores.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
▶️ No Brasil, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, novo nome social da Reag Trust, administradora de fundos do Grupo Reag.
A empresa esteve no centro da segunda fase da Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14). O fundador e ex-executivo da Reag, João Carlos Mansur, foi alvo de mandados de busca e apreensão.
▶️ Nos Estados Unidos, o foco ficou com os novos dados de pedidos de auxílio-desemprego, que recuaram de forma inesperada na última semana. Segundo informações do Departamento de Trabalho americano, as solicitações caíram a 198 mil no período, ante projeção de 215 mil.
O resultado reforçou a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mantenha os juros inalterados no curto prazo.
▶️ Ainda na América do Norte, investidores também avaliaram a imposição de uma tarifa de 25% sobre determinados semicondutores por parte do presidente americano, Donald Trump. A decisão, assinada e divulgada na véspera, foi anunciada com base em uma nova ordem de segurança nacional por parte da Casa Branca e tem como alvo semicondutores de alto desempenho.
▶️ Por fim, os desdobramentos geopolíticos envolvendo o Irã e a Groenlândia, e as críticas recorrentes de Trump sobre a condução da política de juros pelo Fed também ficaram no radar.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,05%;
Acumulado do mês: -2,20%;
Acumulado do ano: -2,20%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +1,09%;
Acumulado do mês: +2,50%;
Acumulado do ano: +2,50%.
Todos de olho em Trump
As medidas e afirmações do presidente americano continuam a mexer com os mercados globais. Entenda abaixo os principais pontos de atenção:
Tarifaço
Entre as ações mais recentes do republicano, por exemplo, está a imposição de uma tarifa de 25% sobre alguns chips de Inteligência Artificial.
A iniciativa, que é parte de um esforço mais amplo do governo americano para incentivar fabricantes de chips a ampliar a produção de semicondutores nos EUA e reduzir a dependência de fornecedores asiáticos, tem como alvo semicondutores de alto desempenho que atendem a critérios técnicos específicos, além de dispositivos que os incorporam, para fins de aplicação de tarifas de importação.
“Os EUA atualmente fabricam apenas cerca de 10% dos chips de que necessitam, o que os torna fortemente dependentes de cadeias de suprimento estrangeiras”, diz a decisão, acrescentando que essa dependência representa um “risco econômico e de segurança nacional significativo”.
Em nota, a Casa Branca informou que as tarifas terão escopo restrito e não se aplicarão a chips e dispositivos derivados importados para data centers nos EUA — grandes consumidores de chips de IA —, nem a produtos destinados a startups, aplicações de consumo fora desses centros, usos industriais civis fora de data centers e ao setor público americano.
De acordo com o anúncio, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, terá ampla margem para conceder novas isenções.
EUA x Irã
Além disso, tensões geopolíticas envolvendo os EUA também seguem sob os holofotes. Segundo a porta-voz do governo Trump, Karoline Leavitt, 800 execuções foram suspensas no Irã, após o presidente americano afirmar que Washington adotaria “medidas muito duras” caso o país do Oriente Médio começasse a enforcar manifestantes.
“O presidente Trump e sua equipe disseram ao Irã que, se as mortes continuarem, haverá graves consequências”, declarou Leavitt nesta quinta-feira, reforçando que “o presidente e sua equipe estão monitorando a situação de perto e todas as opções estão sendo consideradas”.
EUA x Groenlândia
Por fim, as recentes ameaças de Trump sobre a possível anexação da Groenlândia aos Estados Unidos também continuam a trazer cautela nos mercados internacionais.
Trump afirmou que a Groenlândia deveria pertencer aos Estados Unidos e não descartou o uso da força para tomar o território. As declarações geraram reação na Europa, sendo contestadas pela Dinamarca e pelo governo local da ilha.
Nesta semana, Alemanha, França, Suécia e Noruega enviaram soldados à ilha. De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca — que atualmente tem a custódia da Groelândia — para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.
Em resposta, Leavitt afirmou que o envio de tropas europeias para a região não muda a posição de Trump. “Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, disse.
Por que Trump diz que a Groenlândia é vital para construir Domo de Ouro; INFOGRÁFICO
Agenda econômica
Vendas no varejo dos EUA
Segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento de Comércio dos EUA, por meio do Census Bureau, as vendas do varejo americano subiram 0,6% em novembro. Em outubro, houve uma leve queda de 0,1%, após revisão dos números. O resultado superou a expectativa de economistas ouvidos pela Reuters, que projetavam alta de 0,4%.
Esses dados medem o valor gasto com mercadorias, como roupas, eletrônicos e carros, e não consideram o efeito da inflação.
O aumento dos gastos, no entanto, não foi uniforme entre a população. As compras continuam sendo puxadas, em grande parte, por famílias de renda mais alta, enquanto consumidores de menor renda enfrentam dificuldades para lidar com o custo de vida mais elevado.
Quando se excluem itens mais voláteis, como automóveis, gasolina, materiais de construção e restaurantes, as vendas cresceram 0,4% em novembro, após alta de 0,6% em outubro. No terceiro trimestre, o consumo acelerou e respondeu por boa parte do crescimento anualizado de 4,3% da economia americana.
Preços ao produtor dos EUA
Já o Departamento do Trabalho dos EUA, por meio do Escritório de Estatísticas do Trabalho, mostrou que o índice de preços ao produtor avançou 0,2% em novembro, após alta de 0,1% em outubro. O resultado ficou em linha com a expectativa de economistas consultados pela Reuters.
Esse indicador mede a variação dos preços antes de os produtos chegarem ao consumidor final e costuma ser acompanhado como um sinal de pressão futura sobre a inflação.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os preços ao produtor acumularam alta de 3,0% até novembro, acima dos 2,8% registrados em outubro.
A divulgação desses dados sofreu atrasos por causa da paralisação de 43 dias do governo norte-americano. Apesar disso, as informações sobre os preços ao produtor de outubro chegaram a ser coletadas, ainda que com atraso.
Livro Bege do Fed
O Livro Bege divulgado nesta quarta-feira pelo BC americano mostrou uma leve melhora em comparação à sua última divulgação. O documento indicou que a atividade econômica aumentou na maior parte dos EUA e o nível de emprego permaneceu praticamente inalterado.
“As perspectivas para a atividade futura foram ligeiramente otimistas, com a maioria esperando um crescimento leve a modesto nos próximos meses”, disse o Fed no relatório.
O documento ainda indicou que os preços cresceram a uma “taxa moderada” em todos os distritos, com exceção de dois, que relataram apenas um “leve” crescimento de preços.
Os dados devem ter pouco impacto sobre as expectativas para os juros americanos. A estimativa do mercado é que o Fed mantenha as taxas inalteradas em sua reunião de política monetária neste mês.
Bolsas globais
Nos EUA, os três principais índices de Wall Street fecharam em queda nesta quarta-feira, enquanto investidores avaliavam balanços corporativos e dados econômicos.
Entre os destaques negativos estavam os papéis de tecnologia, conforme investidores passavam para áreas mais defensivas. Ações do setor financeiro também terminaram a sessão em baixa, após resultados trimestrais que dividiram opiniões entre analistas.
A maior perda ficou com o Nasdaq, que caiu 0,96%, aos 23.481,19 pontos. O S&P 500 perdeu 0,53%, aos 6.927,03 pontos, enquanto o Dow Jones recuou 0,07, para 49.158,62 pontos.
Já os mercados europeus fecharam mistos, com atenção voltada para uma reunião entre autoridades dos EUA, Groenlândia e Dinamarca sobre o futuro da ilha ártica.
As discussões giram em torno das tentativas do presidente Donald Trump de adquirir o território, apesar das negativas da Dinamarca e da Groenlândia e da menção do uso de força militar.
No fechamento, os mercados europeus tiveram desempenho misto. O STOXX 600 avançou 0,12%, enquanto o FTSE, de Londres, subiu 0,33%. Já entre as quedas, o DAX, de Frankfurt, recuou 0,50%, e o CAC 40, de Paris, caiu 0,12%.
Já as bolsas asiáticas fecharam mistas. Hong Kong avançou, enquanto os índices chineses recuaram após reguladores aumentarem exigências de margem para conter excesso especulativo, mesmo com volume recorde de negociações.
O dia também foi marcado por otimismo com inteligência artificial, impulsionando ações japonesas e levando o índice MSCI Ásia-Pacífico fora do Japão a um novo pico.
No fechamento, os índices registraram: Nikkei +1,48% (54.341 pontos), Hang Seng +0,56% (26.999 pontos), Xangai SSEC -0,31% (4.126 pontos), CSI300 -0,40% (4.741 pontos), Kospi +0,65% (4.723 pontos), Taiex +0,76% (30.941 pontos) e Straits Times +0,11% (4.812 pontos).
Notas de dólar.
Rick Wilking/Reuters

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *