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Chef premiado retorna a restaurante após denúncias de agressões e humilhações


Noma, comandado pelo chef dinamarquês René Redzepi, se tornou um dos nomes mais celebrados da alta gastronomia internacional.
Noma/ Divulgação
Menos de cinco meses depois de anunciar sua saída do Noma, um dos restaurantes mais bem avaliados do mundo, o chef René Redzepi está de volta ao estabelecimento que ajudou a fundar em Copenhague, na Dinamarca.
O retorno ocorre após sua liderança ser alvo de denúncias de agressões, humilhações e abusos no ambiente de trabalho feitas por ex-funcionários em março, em uma reportagem do jornal norte-americano New York Times.
Ele pediu demissão do restaurante logo após as denúncias. Naquele momento, em seu perfil no Instagram, Redzepi publicou uma nota em que afirmou assumir a responsabilidade por suas ações e pediu desculpas.
Agora no g1
Redzepi, de 48 anos, retorna agora em uma função diferente. Depois de mais de duas décadas à frente do restaurante, ele deixa o comando da cozinha e assume o cargo de diretor criativo, segundo o The Wall Street Journal.
Em uma postagem no Instagram, René Redzepi disse que agora estará focado em “projetos de longo prazo”. Segundo o New York Times, no novo cargo, o chef ficará à frente de projetos de tecnologia e inovação envolvendo, por exemplo, algas, leguminosas e fungos.
Histórico de agressões
A reportagem do New York Times mostrou que dezenas de ex-funcionários acusaram Redzepi de criar uma cultura abusiva e um ambiente tóxico. Havia relatos de ameaças verbais e maus-tratos físicos contra trabalhadores.
“Ele batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência”, relatou um ex-trabalhador.
Os relatos também descrevem jornadas de trabalho extremamente longas dentro da cozinha, muitas vezes ultrapassando 12 ou até 16 horas por dia durante os períodos mais intensos do restaurante.
Ex-funcionários disseram ainda que parte significativa da equipe era formada por estagiários estrangeiros que recebiam pouca ou nenhuma remuneração pelo trabalho, apesar da carga pesada de tarefas.
As denúncias tiveram consequências imediatas. Dois patrocinadores desistiram de apoiar uma temporada de jantares, conhecidos como “pop-ups”, quando restaurantes operam por um período limitado em outra cidade, que o Noma estava prestes a iniciar em Los Angeles.
A American Express e a startup de hospitalidade Blackbird anunciaram que retiraram o apoio ao evento, que teria ingressos de US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,7 mil ) por pessoa e estava com todas as reservas esgotadas.
As duas empresas afirmaram que iriam reembolsar clientes que haviam comprado ingressos por meio delas e doar o dinheiro arrecadado a organizações que defendem trabalhadores do setor de restaurantes.

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