“É muito boa”, diz presidente da ApexBrasil sobre participação da China na disputa do tarifaço na OMC

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil.
Divulgação/ApexBrasil
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, classificou como “muito boa” e legítima a decisão da China de participar das discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Para ele, a entrada chinesa no processo não representa uma “intromissão”, mas reforça a importância do sistema multilateral e da própria discussão envolvendo o Brasil.
“Não é uma intromissão da China, é uma participação normal e legítima, como tem na OMC”, afirmou Müller ao g1. Segundo ele, a participação de outros países em uma disputa inicialmente bilateral amplia a relevância do caso e mostra que o tema ultrapassa os interesses de Brasil e Estados Unidos.
“Quando outros países se interessam para participar, mostra a importância que tem”, disse. Para o presidente da ApexBrasil, a OMC é justamente o espaço adequado para que questões relacionadas ao comércio internacional sejam discutidas e, principalmente, resolvidas.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
Müller lembrou que Brasil e Estados Unidos defendem há décadas a utilização da OMC para tratar de conflitos comerciais. “Levar esse assunto para a OMC é um gesto importante, porque a OMC é onde esses temas deveriam ser discutidos e mais do que discutidos, deveriam ser resolvidos”, afirmou.
Na avaliação do presidente da ApexBrasil, a participação chinesa também evidencia a relevância do Brasil no comércio internacional. “O fato da China ter entrado no processo, nós achamos que é muito bom, porque isso mostra o interesse da China”, disse.
Para ele, o envolvimento de outros países reforça o caráter multilateral da organização e demonstra que o Brasil “está longe de ser um país irrelevante”.
O novo ‘plano socorro’ da Apex
A avaliação ocorre em meio ao esforço do governo brasileiro para diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência de mercados específicos. Müller afirmou que o Brasil não deve substituir uma dependência por outra e que a estratégia da ApexBrasil busca ampliar as vendas para diferentes regiões.
“Nós não podemos e não queremos mais depender de ninguém, porque a gente não precisa depender de ninguém”, afirmou. Segundo ele, o Brasil tem buscado ampliar sua presença na Europa, Índia, Canadá, México, África e países asiáticos, incluindo Malásia, Indonésia, Vietnã e Singapura.
Para Müller, o crescimento das exportações brasileiras para determinados países também acompanha o avanço dessas economias. Ele citou a Índia como exemplo: há cerca de dez anos, o país ocupava a 40ª posição entre os destinos das exportações brasileiras; atualmente, segundo ele, já é o quarto mercado mais importante e um dos que mais cresceram.
Ministro fala sobre anúncio de novo escritório da ApexBrasil em Cuiabá
“É natural que a nossa exportação cresça para os países que estão crescendo mais”, afirmou. Por isso, segundo Müller, o plano de diversificação lançado pela ApexBrasil é uma resposta ao tarifaço americano, mas também faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão comercial.
“Está muito claro para todos nós que nós não queremos e não vamos trocar uma dependência por outra”, disse.
Sobre o plano de R$ 210 milhões apresentado pela ApexBrasil, Müller afirmou que a agência não pretende concentrar os recursos em poucos setores ou países. A estratégia, segundo ele, foi desenhada para atender as 5.300 empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço, que representam 2 mil produtos impactados.
ApexBrasil anuncia ‘plano socorro’ para empresas afetadas pelo tarifaço; Canadá, Alemanha e China entram como foco
“Não estamos apostando em setores, nós não estamos apostando em prioridades. Nós estamos apostando nas 5.300 empresas que estão sofrendo com o tarifaço”, afirmou.
Müller disse ainda que a ApexBrasil trabalha com pelo menos 30 países e 29 setores, justamente porque o objetivo é contemplar o conjunto das empresas atingidas. “É um plano para todos, para todas as empresas brasileiras impactadas”, afirmou. Segundo ele, reunir essa capacidade para atender o grupo é algo inédito para a agência.
China e OMC, o que aconteceu?
A China pediu nesta segunda-feira (10) para participar das consultas na OMC sobre a ação movida pelo Brasil contra o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos aos parceiros comerciais.
Na petição, Pequim afirma ter um “interesse comercial substancial” no processo porque a investigação sobre trabalho forçado conduzida pelos EUA e as medidas adotadas a partir dela atingem produtos de origem chinesa.
O pedido foi formalizado com base no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU, na sigla em inglês) da OMC. Uma cópia do documento foi enviada às delegações do Brasil e dos Estados Unidos e ao presidente do Órgão de Solução de Controvérsias da organização.
