Mais de 30 países vão disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo para conter preço de combustíveis

Japão e Alemanha devem liberar reservas de petróleo.
Jornal Nacional/ Reprodução
Os 32 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram nesta quarta-feira (11) em disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência para conter a alta do preço dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio.
É a maior liberação de reservas já feita pelos países da AIE. Até então, o recorde havia sido de 182,7 milhões de barris, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
O cronograma de liberação ainda será definido.
Mais cedo, a Alemanha, Áustria, Japão, que fazem parte da AIE, já tinham anunciado que iriam disponibilizar as suas reservas.
Os Estados Unidos e o Japão serão os maiores fornecedores, segundo a ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche.
O Ministério da Economia do Japão informou, mais cedo, que planeja liberar cerca de 80 milhões de barris de reservas públicas e privadas.
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Navios são atingidos por projéteis não identificados no Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz, uma rota de trânsito crucial por onde passa 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos em todo o mundo.
Vários navios foram atacados na região.
Atualmente, os membros da AIE mantêm mais de 1,2 bilhão de barris de estoques públicos emergenciais de petróleo, além de outros 600 milhões de barris em estoques da indústria mantidos por obrigação governamental.
A ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, disse que o país liberará partes de suas reservas de petróleo após o pedido da AIE “para liberar reservas de petróleo que somam 400 milhões de barris, o que equivale a pouco mais de 54 milhões de toneladas”.
Ela acrescentou que levará alguns dias até a entrega das primeiras quantidades.
“A Alemanha está ao lado do princípio mais importante da AIE, o da solidariedade mútua”, disse Reiche.
Em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, o Irã intensificou ações no Golfo Pérsico, ampliando uma campanha de pressão na região rica em petróleo.
O país praticamente interrompeu o tráfego de cargas no Estreito de Ormuz, por onde cerca de um quinto de todo o petróleo é transportado do Golfo Pérsico para o Oceano Índico.
O Irã também realizou ataques em países árabes do Golfo, buscando gerar pressão suficiente para forçar os Estados Unidos e Israel a encerrar seus ataques.
Relatos de minas marítimas supostamente colocadas pelo Irã no Estreito de Ormuz também aumentaram as preocupações sobre a segurança do abastecimento energético internacional.
Os ministros de Energia do G7 anunciaram na terça-feira que apoiam, em princípio, “a implementação de medidas proativas para enfrentar a situação, incluindo o uso de reservas estratégicas”.
Segundo a AIE, os volumes de exportação de petróleo bruto e produtos refinados estão atualmente em menos de 10% dos níveis pré-guerra.
O ministro da Economia da Áustria, Wolfgang Hattmannsdorfer, disse que seu país está liberando parte da reserva emergencial de petróleo e ampliando a reserva estratégica nacional de gás, acrescentando: “Uma coisa é clara: em uma crise, não pode haver vencedores à custa de motoristas e empresas”.
O governo alemão também disse que introduzirá uma medida para permitir que postos de combustíveis no país aumentem os preços no máximo uma vez por dia. O governo federal quer implementar a medida o mais rápido possível, disse Reiche.
Na Áustria, a partir de segunda-feira, aumentos de preços em postos de gasolina serão permitidos apenas três vezes por semana, disse o ministro da Economia do país.
