Dólar opera em queda com inflação abaixo do esperado no Brasil e EUA; Bolsa avança aos 147 mil pontos
IPCA-15: prévia da inflação sobe 0,18% em outubro, puxada por alta dos combustíveis
O dólar opera com queda nesta sexta-feira (24). Por volta das 10h30, a moeda americana recuava 0,24%, sendo negociada a R$ 5,3732. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançava 0,90%, aos 147.028 pontos.
A prévia da inflação no Brasil veio abaixo das projeções, em linha com dados mais brandos também nos Estados Unidos. No front político, Lula cumpre agenda oficial na Ásia, enquanto Trump e Xi Jinping se preparam para uma reunião que pode aliviar tensões comerciais.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
▶️ O IPCA-15 subiu 0,18% em outubro, segundo o IBGE, resultado abaixo das projeções que esperavam um avanço de 0,48%. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,94%, desacelerando frente aos 5,32% anteriores, com alta de 3,94% no ano.
▶️ Ainda falando em inflação, nos EUA o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,3% em setembro, abaixo da expectativa de 0,4%. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 3,0%, também abaixo do previsto. O núcleo da inflação veio mais leve, e os dados foram divulgados com atraso por causa da paralisação do governo.
▶️ No cenário político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda oficial na Indonésia desde quarta-feira (22), em visita de Estado que retribui a passagem do presidente Prabowo Subianto pelo Brasil em julho. Mas a viagem à Ásia deve ganhar destaque no domingo (26), com o encontro previsto com Donald Trump, na Malásia.
▶️ Já o presidente Donald Trump confirmou um encontro com o líder chinês Xi Jinping na próxima quinta-feira. A notícia foi bem recebida pelos mercados, que enxergam na aproximação um sinal de alívio nas tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, mesmo sem garantias de avanços concretos.
▶️ Durante a manhã, o Banco Central mostrou que o país registrou em setembro um déficit em transações correntes de US$ 9,774 bilhões, acima do esperado pelo mercado. Por outro lado, os investimentos diretos no país surpreenderam positivamente, somando US$ 10,671 bilhões. A expectativa era de um déficit menor e de um volume de investimentos inferior.
▶️ Depois de o avanço do petróleo ter impulsionado as ações da Petrobras na véspera, os investidores voltam as atenções para o desempenho operacional da companhia. A estatal divulga hoje, às 18h, seu relatório de produção e vendas referente ao terceiro trimestre de 2025. A expectativa pelos números devem influenciar diretamente o humor do mercado e o comportamento das ações da empresa no Ibovespa.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,35%;
Acumulado do mês: +1,19%;
Acumulado do ano: -12,84%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +1,62%;
Acumulado do mês: -0,35%;
Acumulado do ano: +21,15%.
Prévia da inflação
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial do país, subiu 0,18% em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
No acumulado do ano, o IPCA-15 registra alta de 3,94%. Em 12 meses, a variação chegou a 4,94%, abaixo dos 5,32% observados no período anterior. Em outubro de 2024, a taxa havia sido de 0,54%.
Além do grupo de Transportes, outros cinco dos nove grupos pesquisados tiveram aumento em outubro:
Vestuário (0,45%);
Despesas pessoais (0,42%);
Saúde e cuidados pessoais (0,24%);
Habitação (0,16%);
Educação (0,09%).
Já Artigos de residência (-0,64%), Comunicação (-0,09%) e Alimentação e bebidas (-0,02%) registraram queda.
O grupo Transportes (0,41%) foi o principal responsável pela alta do índice em outubro, revertendo a queda de 0,25% registrada em setembro. O avanço foi puxado, sobretudo, pelos combustíveis (1,16%) e pelas passagens aéreas (4,39%).
Entre os combustíveis, houve aumento no etanol (3,09%), gasolina (0,99%) e óleo diesel (0,01%), enquanto o gás veicular recuou 0,40%. Os subitens ônibus urbano (0,32%) e metrô (0,03%) também contribuíram para o resultado positivo do grupo.
Lula na Ásia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tratou como certa a reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Malásia durante coletiva de imprensa em Jacarta, na Indonésia, nesta sexta-feira. Ele disse que não há “assunto proibido” que não possa ser tratado no encontro.
A expectativa é de que Lula se encontre com Trump em Kuala Lumpur, na Malásia, no domingo (26).
Se confirmado, será o primeiro encontro oficial entre Lula e Trump desde o início da crise provocada pelo tarifaço de 50% aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
A reunião ainda não foi confirmada oficialmente pelo governo do Brasil nem dos EUA. Mesmo assim, Lula também listou os pontos que pretende abordar, como o comércio entre os países e as sanções dos EUA aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Tenho todo interesse nessa reunião, mostrar que houve equívoco nas taxações, mostrar com números”, disse o presidente.
O presidente ainda falou sobre:
os ataques dos EUA a barcos na costa da Venezuela;
e as expectativas para a COP 30 e a perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas.
O Itamaraty separou parte do domingo para que o presidente Lula realize reuniões bilaterais. Até a manhã desta terça-feira (21), estava confirmado apenas um encontro com o primeiro-ministro Narendra Modi, da Índia.
CPI nos EUA
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos teve alta de 0,3% em setembro na comparação mensal, segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado, que projetava um avanço de 0,4%.
No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 3,0%, também abaixo da estimativa de 3,1%, embora tenha acelerado em relação aos 2,9% registrados em agosto.
O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,2% no mês, frente à previsão de 0,3%. Na base anual, também ficou em 3,0%, abaixo da expectativa de 3,1%.
Apesar da desaceleração, os números ainda estão acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve, o que mantém o debate sobre os próximos passos da política monetária americana.
A divulgação dos dados ocorreu com atraso, devido à paralisação parcial do governo dos Estados Unidos, que interrompeu temporariamente a publicação de indicadores econômicos.
O relatório é acompanhado de perto por investidores e analistas, pois influencia diretamente as decisões sobre juros e o comportamento dos mercados.
EUA em paralisação pelo 24º dia
A paralisação do governo dos Estados Unidos chegou ao 24º dia nesta sexta-feira, sem sinais de resolução.
O Senado se prepara para votar um projeto de lei proposto pelos republicanos, chamado “Shutdown Fairness Act”, que prevê o pagamento de funcionários considerados essenciais, como militares, agentes de fronteira e controladores de tráfego aéreo — todos obrigados a continuar trabalhando mesmo sem remuneração durante o bloqueio orçamentário.
A proposta, no entanto, enfrenta resistência dos democratas, que argumentam que o governo Trump não deve decidir quem merece ou não receber salário. Eles defendem uma medida alternativa que garanta o pagamento a todos os servidores federais, embora não esteja claro se o Senado, controlado pelos republicanos, aceitará discutir essa proposta.
Enquanto isso, o impasse político continua. Na quarta-feira (22), os democratas bloquearam pela 12ª vez uma proposta republicana de financiamento temporário para reabrir o governo. Eles condicionam o fim do bloqueio à inclusão de medidas que renovem subsídios do Affordable Care Act e revertam cortes no Medicaid.
Em meio à tensão, o senador democrata Jeff Merkley discursou por mais de 22 horas no plenário, criticando o presidente Donald Trump por planejar uma viagem à Ásia durante a paralisação. A crise já afeta mais de 750 mil servidores, muitos dos quais estão sem trabalhar ou atuando sem receber.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados começaram o dia em alta, impulsionados por dados de inflação abaixo do esperado.
O índice de preços ao consumidor subiu 0,3% em setembro, menos do que os 0,4% previstos, e o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, também veio mais leve. Esses números reforçaram a expectativa de que o Federal Reserve possa manter os juros estáveis, o que animou os investidores.
Por volta das 8h30 (horário local), os índices futuros operavam com ganhos: o Dow Jones subia 0,5%, o S&P 500 avançava 0,7% e o Nasdaq 100 ganhava 0,98%.
As bolsas europeias operam em queda, pressionadas por resultados mistos de empresas e pela divulgação de indicadores econômicos.
Dados como as vendas no varejo do Reino Unido, a confiança do consumidor na França e os índices de atividade econômica (PMIs) da Zona do Euro, Alemanha, França e Reino Unido trouxeram cautela aos investidores.
O STOXX 600 recuava 0,16%. O DAX, da Alemanha, caía 0,04%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, perdia 0,10%. O CAC 40, da França, registrava queda de 0,44%, o FTSE MIB, da Itália, recuava 0,11%, e o PSI20, de Lisboa, operava com baixa de 0,58%.
Já os mercados asiáticos fecharam em alta, com destaque para Xangai, que atingiu seu maior nível em dez anos. O otimismo foi impulsionado pela promessa do governo chinês de focar na autossuficiência tecnológica e cumprir metas econômicas. A expectativa de uma reunião entre líderes da China e dos Estados Unidos na próxima semana também ajudou a aliviar as tensões comerciais.
No fechamento, o índice de Xangai subiu 0,71%, e o CSI300 avançou 1,18%. Em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 0,74%. O Nikkei, em Tóquio, ganhou 1,35%, enquanto o Kospi, em Seul, subiu 2,50%. Em Taiwan, o Taiex caiu 0,42%, e em Cingapura, o Straits Times avançou 0,26%.
Dólar atinge a segunda maior cotação da história: R$ 5,86
Reprodução/TV Globo
*Com informações da agência de notícias Reuters.
