Número de pessoas trabalhando em casa cai desde 2010, mostra Censo
IBGE: Carro é o principal meio de transporte até o trabalho; 21% vão de ônibus, 18%, a pé
O número de pessoas que trabalham em casa no Brasil é de 14 milhões, segundo dados preliminares do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (9).
🔎 O IBGE considera como pessoas que trabalham no domicílio de residência aquelas que exercem sua atividade no próprio imóvel ou na propriedade onde vivem, sem necessidade de deslocamento para outro local de trabalho — trabalho híbrido, por exemplo, não entra nesse cálculo.
No Censo de 2010, esse número era de 18 milhões de pessoas, o equivalente a 22% da população ocupada. Em 2022, o percentual caiu para 16%.
Deste total de pessoas que trabalhavam em casa, em 2022, 50% eram homens e 49% eram mulheres.
O IBGE atribui parte dessa diferença a mudanças metodológicas. Em 2010, o conceito de “ocupado” incluía os trabalhadores na produção para o próprio consumo. Em 2022, esses trabalhadores deixaram de ser considerados ocupados, e, portanto, não foram coletadas informações sobre deslocamento ao trabalho.
“Ao se considerar as pessoas que trabalham no município de residência – no domicílio ou fora dele – houve um decréscimo de 5 pontos percentuais na proporção daqueles que trabalhavam no domicílio de residência, enquanto se registra um aumento de 6,6 pontos percentuais para os que trabalhavam fora do domicílio, no município de residência”, afirma o IBGE.
Além disso, é preciso observar mudanças em relação ao setor de trabalho.
“É importante olhar com cautela esses dados, porque a mudança no número de pessoas que trabalham em casa ou na propriedade pode estar muito vinculada às próprias transformações no mercado de trabalho. Agricultores que deixaram de ser agricultores e foram trabalhar em outras atividades, profissionais que antes exerciam suas atividades em casa e passaram a se deslocar para outras localidades — tudo isso impacta nesses valores. Talvez o fenômeno tenha reduzido a sua expressividade no pós-pandemia, quando muitas pessoas voltaram ao trabalho presencial”, diz Mauro Sérgio Pinheiro dos Santos de Souza, analista do Censo 2022 – Deslocamento para Estudo e Trabalho/IBGE.
Veja os números por região:
Norte: 19% trabalhavam no próprio domicílio de residência em 2022 (em 2010, eram 26%);
Nordeste: 17% (eram 22%);
Sul: 16% (eram 24%);
Centro-Oeste: 16% (eram 23%);
Sudeste: 15% (eram 22%).
Por faixa de rendimento
Em números absolutos, o Censo 2022 mostra que o trabalho em casa foi mais comum entre pessoas com mais de um a dois salários mínimos, que somavam 4,1 milhões de trabalhadores no domicílio.
Até ¼ de salário mínimo: 800 mil pessoas trabalhavam em casa (em 2010, eram 1,7 milhão);
De ¼ a ½ salário mínimo: 2 milhões (eram 2,8 milhões);
De ½ a 1 salário mínimo: 4 milhões (eram 5 milhões);
De 1 a 2 salários mínimos: 4,1 milhões (eram 5 milhões);
De 2 a 3 salários mínimos: 1,5 milhão (eram 1,7 milhão);
De 3 a 5 salários mínimos: 1,2 milhão (eram 1,2 milhão);
Mais de 5 salários mínimos: 1 milhão (eram 1,2 milhão);
Sem rendimento: 18 mil (eram 240 mil).
Ranking de pessoas que trabalham em casa no Brasil
São Paulo: 15% (em 2010, eram 22%);
Minas Gerais: 15% (eram 21%);
Bahia: 17% (eram 23%);
Rio Grande do Sul: 17% (eram 25%);
Paraná: 16% (eram 23%);
Rio de Janeiro: 16% (eram 21%);
Pernambuco: 17% (eram 22%);
Ceará: 19% (eram 23%);
Pará: 21% (eram 26%);
Goiás: 15% (eram 23%);
Santa Catarina: 16% (eram 23%);
Maranhão: 18% (eram 22%);
Amazonas: 18% (eram 25%);
Distrito Federal: 14% (eram 19%);
Mato Grosso: 17% (eram 25%);
Mato Grosso do Sul: 16% (eram 23%);
Espírito Santo: 20% (eram 19%);
Piauí: 17% (eram 20%);
Rio Grande do Norte: 16% (eram 19%);
Paraíba: 16% (eram 21%);
Alagoas: 15% (eram 21%);
Sergipe: 15% (eram 20%);
Acre: 20% (eram 29%);
Amapá: 15% (eram 20%);
Rondônia: 22% (eram 30%);
Roraima: 17% (eram 25%);
Tocantins: 16% (eram 21%).
Infográfico – Mapas mostram tempo de deslocamento até o trabalho nas cidades brasileiras.
Arte/g1
Pesquisa mostra que número de trabalhadores em ‘home office’ poderia ser 2x maior
Por que tantos profissionais preferem se demitir a deixar o home office?
Jornalista Márcia Breda fala sobre rotina de trabalho em casa
