Comercio Global

Dólar cai e bolsa avança com atenção voltada à inflação americana

Como a queda do dólar reflete no nosso bolso? Gustavo de Oliveira explica
O dólar opera nesta sexta-feira (26) em baixa, recuando 0,29% às 12h50, a R$ 5,3479. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançava 0,40%, aos 145.882 pontos.
Com a economia dos Estados Unidos mostrando sinais de força, investidores estão atentos a novos dados sobre inflação. O índice PCE, que mede a variação dos preços pagos pelos consumidores, que pode indicar se os custos continuam subindo, veio praticamente em linha com as projeções e pode influenciar futuras decisões sobre os juros no país.
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▶️ O índice que mede a variação dos preços nos EUA, o PCE, subiu 0,3% em agosto, acumulando alta de 2,7% em 12 meses. Já a versão do indicador que exclui alimentos e energia teve aumento de 0,2% no mês e 2,9% no ano. Os resultados vieram dentro do que os especialistas esperavam.
▶️ Ainda com os EUA em foco, o presidente Donald Trump anunciou novas tarifas sobre produtos como medicamentos, caminhões pesados, móveis e itens de cozinha e banheiro.
▶️ No Brasil, em um dia sem divulgações econômicas relevantes, o mercado acompanha o fim das negociações de fusão entre a Azul e a Gol.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,81%;
Acumulado do mês: -1,08%;
Acumulado do ano: -13,21%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -0,38%;
Acumulado do mês: +2,75%;
Acumulado do ano: +20,80%.
Gol anuncia fim das negociações de fusão com Azul
O Grupo Abra, controlador da Gol, notificou à Azul, nesta quinta-feira (25), sobre o encerramento das tratativas de fusão entre as companhias aéreas. O anúncio também é referente ao codeshare, que havia sido acordado em maio do ano passado.
No comunicado, a Gol esclareceu que a decisão foi tomada por conta do não avanço das negociações.
“Após a assinatura do Memorando de Entendimentos de 15 de janeiro de 2025, a Abra tem se colocado à disposição para continuar avançando nas discussões rumo a uma combinação de negócios. No entanto, as partes não tiveram discussões significativas”, diz a nota.
Além disso, o grupo também menciona as mudanças no cenário desde a assinatura do memorando de entendimento (MoU) e o pré-arquivamento junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que ocorreram em outro momento das empresas, que não é mais o mesmo.
Inflação nos EUA
A inflação americana, medida pelo índice PCE, subiu 0,3% em agosto, após alta de 0,2% em julho. No acumulado de 12 meses, o aumento foi de 2,7%. Já o núcleo do índice, que exclui variações nos preços de alimentos e energia, teve alta de 0,2% no mês e de 2,9% no ano.
Os resultados vieram dentro do que os economistas esperavam.
Os gastos das famílias, que são responsáveis por grande parte da atividade econômica dos EUA, aumentaram 0,6% em agosto. Em julho, o avanço havia sido de 0,5%. Esse resultado veio acima da previsão de analistas, que esperavam uma alta de 0,5% no mês.
Mesmo com a criação de empregos desacelerando nos últimos meses, o consumo continua forte, especialmente entre famílias com maior renda. Isso acontece porque o mercado de ações está valorizado e os imóveis seguem com preços altos, o que aumenta o patrimônio dessas pessoas.
Segundo dados do banco central americano, a riqueza das famílias chegou a um recorde de 176,3 trilhões de dólares no segundo trimestre.
Por outro lado, famílias com menor renda estão sentindo mais os efeitos dos preços altos, especialmente por causa das tarifas de importação, que tornam os produtos mais caros. Essas famílias acabam sendo as mais afetadas, já que têm menos margem para absorver esses aumentos.
O bom desempenho do consumo ajudou o crescimento da economia no segundo trimestre, com o Produto Interno Bruto (PIB) avançando 3,8% em ritmo anual, o melhor resultado em quase dois anos. Para o terceiro trimestre, a expectativa é de um crescimento mais moderado, em torno de 2,5%.
Novas tarifas de Trump
O presidente Donald Trump afirmou na quinta-feira (25) que os Estados Unidos vão impor novas tarifas a partir de 1º de outubro. A medida irá atingir a importação de produtos farmacêuticos, caminhões pesados, móveis e artigos de cozinha e banheiro.
O anúncio foi feito pelo republicano em sua rede social, sob a justificativa de proteger os fabricantes locais diante do que chamou de uma “inundação” desses produtos nos EUA. Ele também citou “razões de segurança nacional”.
Segundo Trump, as novas tarifas de importação vão variar entre 25% e 100%, distribuídas da seguinte forma:
Caminhões pesados: 25%
Móveis e estofados: 30%
Armários de cozinha, gabinetes de banheiro e produtos relacionados: 50%
Produtos farmacêuticos: 100%
Bolsas globais
Os mercados em Wall Street começaram o dia em alta após a divulgação de dados sobre inflação que vieram dentro do esperado. Isso trouxe alívio aos investidores, que temiam que preços em alta pudessem atrasar decisões do banco central sobre os juros.
Na abertura, o índice Dow Jones subia 0,34%, o S&P 500 avançava 0,16% e o Nasdaq tinha leve alta de 0,08%.
Já as bolsas europeias se recuperam nesta sexta-feira, impulsionadas por empresas dos setores financeiro, industrial e siderúrgico. A reação acontece após notícias sobre possíveis tarifas contra o aço chinês e também após o impacto inicial das medidas anunciadas por Trump contra farmacêuticas.
Os principais índices operam em alta: STOXX 600 (+0,26%), DAX da Alemanha (+0,31%), FTSE 100 do Reino Unido (+0,33%), CAC 40 da França (+0,35%) e FTSE MIB da Itália (+0,50%). As bolsas seguem abertas.
Na Ásia, os mercados fecharam em queda, apesar do otimismo recente com o avanço da inteligência artificial na China. Investidores aproveitaram para realizar lucros após uma semana de valorização.
Os principais índices encerraram o dia com perdas: Xangai (-0,65%), CSI300 (-0,95%), Hang Seng (-1,35%), Nikkei em Tóquio (-0,87%), Kospi em Seul (-2,45%), Taiex em Taiwan (-1,70%), Straits Times em Cingapura (-0,18%). A exceção foi Sydney, com alta de 0,17%.
Dólar
Karolina Grabowska/Pexels

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